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Intensidade destorce o tempo

"Demore o tempo que for para decidir o que você quer da vida, e depois que decidir não recue ante nenhum pretexto, porque o mundo tentará te dissuadir." Friedrich Nietzsche

Em um evento que participei recentemente, ouvi essa frase que me levou a refletir algumas coisas na minha vida.


Essa frase faz ainda mais sentido quando paramos para refletir sobre a forma como temos conduzido nossa vida e nossa carreira.


O grande problema não está em ser intenso. O problema é ser intenso em tudo, menos no que realmente importa para alcançar o objetivo que se deseja.


E existe um problema ainda mais grave do que esse: quando sequer sabemos qual é o nosso verdadeiro objetivo. Sem clareza de direção, qualquer esforço, por mais intenso que seja, acaba sendo desperdiçado.


A vida real da advocacia é cercada por inúmeros eventos de distração. São convites, oportunidades, demandas paralelas e estímulos constantes que parecem urgentes, mas que muitas vezes nos afastam do plano que deveria estar sendo executado.


Com isso, acabamos depositando tempo, energia e intensidade em atividades completamente fora do caminho que traçamos para nós mesmos.


Lembro que, no início de 2023, quando comecei a buscar conhecimento sobre tecnologia, fui intenso em várias frentes que, hoje, percebo que não faziam o menor sentido estratégico.


Havia esforço, dedicação e vontade de evoluir, mas faltava algo essencial: alinhamento com a minha missão.


Intensidade sem direção não gera avanço, apenas cansaço.


Com o tempo, entendi que intensidade bem aplicada começa pela organização da missão e das prioridades. No fundo, intensidade é decidir em que vale a pena investir a própria vida.


Quando a intensidade é bem direcionada, os resultados deixam de ser uma promessa distante e passam a ser antecipados. A sensação é de que os resultados chegam antes do esperado, porque cada ação está conectada a um propósito claro.


Hoje, me considero uma pessoa intensa no que tenho feito. Não sou intenso porque quero simplesmente chegar a uma linha de chegada, mas porque minhas pretensões são grandes e eu quero desfrutar do fruto de um trabalho árduo que faça sentido para mim.


A intensidade, nesse contexto, não é um peso, mas uma escolha consciente.


Algumas pessoas já me perguntaram se eu não estou trabalhando demais ou se não estou sendo precipitado em algumas decisões que tomei.


A verdade é que estou vivendo um momento de ser intenso, de distorcer o tempo ao meu favor. Lógico que eu tenho meus momentos de lazer, resenha, família, tocar meu piano, falar besteira, estar na "caixa do nada", até porque não somos máquinas, mas a verdade que hoje tenho clareza do que realmente faz sentido para mim e aprendi a dizer não.


Depois de entender qual é o meu caminho, errar deixou de ser uma opção recorrente. E, depois d

os 30, o custo do erro se torna ainda mais alto.


O conselho que deixo é simples e direto: pare de ser intenso naquilo que você sabe que não te aproxima do seu objetivo. Redirecione sua energia e use o tempo a seu favor.


A intensidade certa não te consome. Ela te constrói.

 
 
 

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